Stress na Adolescência
Pediram-me para participar num debate de uma Escola Secundária, dedicado ao tema “Stress Juvenilâ€, organizado por um grupo de alunos. Como já tinha aqui escrito sobre a adolescência, pensei que poderia continuar esse tema. Não admira que exista stress na adolescência, tendo em conta todas as transformações pelas quais os adolescentes passam.
A palavra stress evoca-nos sempre imagens negativas: alguém cansado, que não consegue parar de fazer as tarefas mas também não tem forças para as realizar. Na verdade, o stress pode ser positivo, uma vez que é a reacção de adaptação do corpo ao meio onde se encontra, i.e., cada vez que nos deparamos com situações novas, a nossa mente faz uma avaliação da situação: será que é perigosa ou será que é benéfica?
Se for perigosa, manda ordens para nos afastarmos, quer por movimento (retirar a mão de perto do fogo), quer por outros sinais (dores de cabeça, mãos suadas,…). Isto permite-nos evitar situações que sejam nefastas para nós. Serve como factor de alerta e ajuda-nos a criar respostas adequadas para a próxima situação idêntica. Por exemplo: quando aprendemos a conduzir, o primeiro dia em que pegamos no carro e vamos com o instrutor para a estrada, podemos ter dores de barriga e sentirmo-nos mais ansiosos uma vez que é uma situação que nunca enfrentámos; e se eu bater com o carro? E se alguém me bater? Quando é o primeiro dia de uma criança na escola, a situação é semelhante.
Na adolescência, as mudanças são constantes em nós próprios e no meio que nos rodeia; não sabemos muito bem lidar com o nosso corpo (somos desajeitados, a roupa deixa de servir de uma semana para a outra, a voz está fininha e depois mais grossa e fininha novamente) e com os nossos sentimentos (o que será que os outros pensam de mim, será que vão gozar comigo, …) e até os outros não sabem lidar bem connosco (tratam como crianças e a seguir exigem-nos que sejamos adultos).
Habitualmente, há um conjunto de factores (escola, grupo de amigos, famÃlia, indivÃduo) que podem levar ao desencadear do stress negativo. Se os comportamentos do adolescente afectam o desenrolar normal da sua vida (se o impedem de continuar com asa rotinas que tinha) é preciso verificar o que está acontecer.
Aqui ficam alguns sinais de stress:
Comportamentais:
- Começa a evitar o contacto com outras pessoas (deixa de sair com os amigos e passa a preferir ficar sempre sozinho no computador, deixa de fazer refeições em conjunto com a famÃlia, …) isolando-se.
- Envolve-se em confusões (torna-se mal-educado, reage muito rapidamente ao que lhe dizem, entra em brigas verbais e fÃsicas,…)
- Baixa o rendimento escolar (deixa de interessar-se pela escola, as notas diminuem vários valores, …)
FÃsicos:
- Insónia (não tem sono, demora muito tempo a adormecer ou acorda várias horas antes do despertador,…)
- Somatização, ou seja, dores de cabeça, dores de estômago, cansaço excessivo …
- Comportamentos de risco (uso de drogas e medicamentos, relações sexuais desprotegidas, …)
Psicológicos:
- Falta de concentração (parece alheado, distrai-se com facilidade, …)
- Desânimo (triste, sem motivação para realizar as actividades que antes gostava de fazer, …)
- Impaciência (grita ao menor reparo, atira com objectos, …)
Ajudas:
Algumas ajudas (que servem para todos) para diminuir o stress e levar uma vida saudável e harmoniosa:
- Actividade fÃsica: não é desporto de alta competição, mas a prática de um desporto ajuda a libertar mecanismos biológicos que nos fazem sentir melhor;
- PerÃodos de descanso: todos nós temos perÃodos diferentes de tempo (que variam também com a idade) no qual conseguimos estar concentrados; uma pausa de 10 minutos entre cada 60 minutos de estudo ajudam a melhorar a atenção e a memorização.
- Técnicas de relaxamento: o espreguiçar, o respirar calma e pausadamente, o fechar os olhos e visualizar um cenário que seja relaxante ajuda o corpo a reduzir os nÃveis de stress.
- Manter um diálogo sincero entre pais e filhos: um espaço para poder falar e ouvir, pensar, responsabilizar e ajudar a escolher soluções, ajuda a não nos precipitarmos quando tomamos decisões (como por vezes acontece em situações de stress).
- Ter limites e prioridades definidas: saber quando temos de parar antes de entrarmos no nosso limite e desenvolvermos problemas de saúde mais graves (SÃndrome de Burnout, depressão, úlceras,…)
- Receber carinho e atenção: sentir que alguém se preocupa connosco e gosta de nós, independentemente daquilo que conseguimos, é sempre uma ajuda à nossa auto-estima e diminui o receio de falhar.
- Quando sentimos que a situação nos ultrapassa: procurar a ajuda de um especialista, em quem confiemos, para nos ajudar a solucionar os problemas.
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