Voltámos…
É verdade! Regressámos ao trabalho, regressou o Outono e regressaram as aulas; estes últimos quinze dias têm sido de grande azáfama para os pais: em que turma é que o meu filho ficou (quando muda de escola), qual o seu horário, quem são os professores, que material é que é preciso comprar…
A juntar a todas estas questões, temos ainda a mudança de ritmos: as horas de deitar, o jogar computador,  …
E para quem está a começar (nos jardins-de-infância) as ansiedades são ainda maiores: como vai ser quando deixar a minha filha na escola? Será que ela fica a chorar (ou sou eu quem vai chorar)?
Bom, deixo aqui algumas sugestões  para tentar facilitar a vida das famÃlias:
- Estabeleça rotinas: retome as antigas ou inicie novas, não importa. Adeqúe os horários e condicionantes da sua famÃlia e crie rotinas; tente que a hora de levantar seja sempre a mesma, que o banho seja sempre na mesma altura, que exista uma altura para descansar e brincar (antes ou depois dos trabalhos de casa, conforme a disponibilidade que a criança apresenta).
- Prepare a criança para o inÃcio das aulas: vejam o horário em conjunto, descubram qual a melhor altura para estudar, explorem os livros para criar entusiasmo,…
- Ajude a criança a organizar-se para o dia seguinte: durante as primeiras semanas, ao fim do dia vejam em conjunto que livros têm de estar preparados para o dia seguinte, que materiais necessita; posteriormente vá dando autonomia, lembrando à criança que tem de ir organizar os livros para amanhã, e revendo oralmente que materiais irá utilizar,…
Para crianças que vão iniciar a escola pela primeira vez, quer seja o Jardim-de-Infância, a mudança para o 1.º Ciclo ou uma mudança de escola, é natural que nas semanas antecedentes e nas primeiras semanas sintam alguma ansiedade (aquilo que normalmente chamamos “nervoso miudinho†ou “nervosâ€);
- Na semana antes converse sobre a nova escola: como poderá ser, como serão os horários, o que irá fazer,…
- Nas semanas seguintes: converse sobre como estão a correr as coisas na escola: como são os colegas, como é a professora, se gosta das disciplinas, como poderão melhorar o que está menos bem, …
E descansem… ainda temos um ano inteiro pela frente.
Bom regresso!
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Jogos web para as férias | 8 / 10
Mais uma semana, mais um site pedagógico. Estamos cada vez mais perto do inicio de aulas, estando assim esta rubrica quase a termina.
RTP : Little People
Um site dedicado aos mais pequenos.
Assenta principalmente nos programas de desenhos animados da RTP; tem algumas novidades que não apareciam nos outros, como por exemplo o planeamento de festas de aniversário (organização da festa, convites, decorações, …) que pode ser útil aos pais.
De resto não se evidencia muito dos outros sites já referidos; continuam a existir jogos, histórias, desenhos para colorir…
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Parentalidade
Há alguns anos, escrevi uma dissertação de Mestrado intitulada “Parentalidade e problemas de comportamento†sobre crianças com problemas de comportamento e como os pais podem influenciar a sua dinâmica familiar, a sua relação com os filhos; vou deixar aqui alguns textos para que possam aproveitar estes conhecimentos e influenciarem de modo positivo a vossa relação familiar.
A autonomia das crianças e a regulação de comportamentos efectuada pelos pais são dois pontos fundamentais no papel das relações de suporte na famÃlia, bem como desenvolvimento da criança. Estes factores fazem parte daquilo que os investigadores em psicologia chamam de «estilos e comportamentos parentais»; distinguem-se 3 estilos parentais:
- o Autoritativo: o estilo parental autoritativo é caracterizado por ser pouco afectuoso, com um nÃvel de exigência muito grande e escassa autonomia.
- o Autoritário: é mais afectuoso e promove a autonomia com algumas linhas de comportamento bem definidas; é considerado como sendo de suporte, abrangendo aspectos como reforços positivos, afectos positivos e disciplina e tem sido considerado como um factor protector na promoção da adaptação das crianças. No que diz respeito à imposição de limites, estes podem ser de estilo restritivo, ou seja, envolve comportamentos cuja intenção é parar ou punir a criança e não necessariamente uma disciplina dura, como bater.
- o Coercivo: Nas interacções pais-filhos de carácter coercivo há dois padrões de interacção:
- Os pais dão uma resposta de recuo e de apaziguamento da criança quando esta apresenta um comportamento desajustado, de não obediência, numa tentativa de diminuir a fúria da criança. Ao longo do tempo, os limites impostos tendem a diminuir após um contÃnuo de interacções semelhantes e respondem muitas vezes de maneira positiva ou neutral.
- Há uma hostilidade mútua, onde os membros entram numa escalada de hostilidade, ou seja, cria-se um ciclo onde pai/mãe e criança tentam controlar-se mutuamente, sendo cada vez mais hostis um para o outro na tentativa de dominar a relação.
Práticas ineficazes de educação e comportamento anti-social de crianças estão reciprocamente relacionadas. Assim, acabam por ser moldados comportamentos aversivos dentro da dinâmica familiar: as crianças aprendem a utilizar comportamentos coercivos para atingir os seus objectivos, não sendo valorizadas nos seus comportamentos positivos.
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Actividades para as férias/feriados
Que tal fazer uma actividade de culinária em famÃlia? Algo que seja simples de fazer e que ao mesmo tempo proporcione várias aprendizagens à s crianças?
Bom, podemos aproveitar estes feriados (ou férias prolongadas para quem as tiver) para fazer uma pequena sobremesa e que demora cerca de 1 hora – pelo menos é o que temos demorado.
Esta receita serve desde os 5 anos até aos 10 anos e trabalha uma série de questões psicomotoras: Planeamento e Organização da tarefa, Sequenciação, Atenção, Motricidade fina e Cálculo.
A psicomotricidade pode ser definida como o campo que estuda e investiga as relações e as influências recÃprocas entre psique e corpo, i.e., de que forma é que o movimento do corpo, os afectos e o intelecto integram as nossas experiências e aprendizagens, influenciando-se mutuamente. Por exemplo, o escrever a letra «p» envolve uma série de capacidades: a mão que segura a caneta (motricidade fina), o «desenhar sobre a linha (coordenação óculo-manual), a letra (memória longo-prazo) e movimento da caneta para fazer um traço vertical seguido de uma bolinha (orientação espacial). E nós nem pensamos nisso, mas para quem está a aprender a escrever é muita coisa ao mesmo tempo. Não vou alongar-me sobre as áreas psicomotoras (que são várias) mas importa dizer que são as experiências que nos transmitem conhecimentos e quanto mais novos somos, mais facilmente conseguimos aprender através do «fazer» do que apenas com teoria.
Então vamos lá.
A receita é para “Bolinhos de chocolate e côco†e precisamos de:
- 200 g de açúcar
- 1 Pacote de chocolate em pó (150g)
- 2 Ovos
- 1 Pacote de côco ralado (150g)
- e ainda uma tigela, uma colher de pau, um prato e forminhas de papel (pode substituir estas por rectângulos grandes em papel de alumÃnio).
Esta receita dá para cerca de 35 bolinhas, conforme o tamanho destas.
Modo de fazer
Vestimos o avental (porque isto vai sujar) e colocamos em cima da mesa uma tigela, uma colher de pau e os ingredientes pela ordem acima dada.
Se a criança for mais velha (com 9 anos, mais ou menos), podemos colocar o pacote de açúcar, uma balança, o pacote de chocolate, uma caixa cheia de ovos e o pacote de côco, para que ela saiba qual a ordem pela qual colocamos os ingredientes na tigela (Organização da tarefa).
Pedimos para pesar o açúcar – podemos indicar qual a marca dos 200 para que ela possa pesar (cálculo) e colocar dentro da tigela; junta o chocolate em pó e mexe bem. Depois pedimos apenas 2 ovos dos 6 que lá estão (cálculo) e pedimos à criança para partir (se é uma primeira vez, segure na mão da criança para ajudar a mediar a força e não correr o risco de esmagar o ovo). Vamos sempre questionando a criança quanto ao que fazemos a seguir – basta ela olhar para a mesa que já sabe o que vem depois (sequenciação da tarefa).
Por fim ela coloca um pouco de côco num prato e deita o resto na tigela mexendo tudo muito bem com a colher de pau. Por esta altura a mistura de chocolate começa a ficar difÃcil de mexer com a colher, pelo que é preciso amassar: vamos meter as mãos dentro da tigela e mexer bem a mistura; depois de bem misturada é só fazer pequenas bolinhas com as mãos (motricidade fina), como se fosse plasticina. As bolinhas vão sendo colocadas nas formas de papel; se optar por quadrados de papel de alumÃnio, terá mais tarde que fechar os embrulhos como se fossem rebuçados.
Transformada toda a massa em bolinhas, vamos lavar as mãos e voltamos ao trabalho: vamos passar metade das bolinhas (cálculo) pelo côco que espera no prato. Por fim colocamos numa travessa e vai ao frigorÃfico para mais tarde comermos. Não esquecer que só acabamos quando a loiça está lavada.
Se a criança é mais pequena, diminuÃmos algumas etapas: colocamos o açúcar já pesado numa tigela pequena, os dois ovos num prato, colocamos o número de formas certas (se ainda não aprendeu a fazer contas) enfim,  tudo a um nÃvel que a criança consiga atingir.
Espero que se divirtam juntos e que tenham uma boa sobremesa.
Feriados deliciosos para todos.
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Autismo
O Miguel entrou na sala pela mão da mãe; na outra mão trazia um carrinho. Ao aproximarmos dele, emite um grito e esconde-se atrás da mãe. Quando lhe falamos, não responde; os seus olhos passam por nós para depois continuarem pela sala. Não gosta que estranhos lhe toquem ou mexam na sua mochila (vai demorar algumas semanas para nos entregar aquilo que segura). É uma criança bonita, de cabelos negros, lisos e ligeiramente comprido. Tem um diagnóstico de Autismo.
O Autismo é classificado pelos Manuais de Diagnóstico de Doenças Mentais (DSM-IV e ICD-10) como uma perturbação global do desenvolvimento infantil. Manifesta-se cedo (em bebé) e prolonga-se para a idade adulta. Esta perturbação manifesta-se em três áreas: social, linguagem e comunicação, pensamento e comportamento.
Social:  a criança tende a isolar-se e não mostrando interesse pelos outros; pode interagir de forma estranha, evitando o contacto ocular; pode não ter iniciativa ou não responder à iniciativa dos outros. A criança não compreende a expressão facial do outro, não percebe as pistas sociais (olhar, expressão zanga, …). Ausência de empatia.
Linguagem e Comunicação: apresenta dificuldades em comunicar, em construir frases ou organizar o pensamento; pode fazer ecolália (repete os mesmos sons) ou repetir frases construÃdas mas fora de contexto («papaguear»); dificuldade em iniciar ou manter uma conversa;
Pensamento e do Comportamento: fraca imaginação, dificuldades em brincar; não gosta que alterem as rotinas, pode apresentar preferência por um objecto em particular ou por alguns movimentos repetitivos (sacudir as mãos, balancear-se, …).
As razões para a origem desta perturbação não estão ainda esclarecidas; coloca-se várias hipóteses, tais como a possibilidade de existirem factores hereditários ou anomalias cerebrais, mas a verdade é que podem surgir em qualquer famÃlia, classe social, educação ou paÃs.
PS: Um site interessante, com muitas informações sobre o Autismo:
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Hiperactividade – A importância de um diagnóstico
Existem alguns comportamentos nas crianças que, embora possam estar presentes na hiperactividade, não são por si só um diagnóstico de Hiperactividade; esse diagnóstico tem que ser feito através da consulta de um médico especialista (como um neurologista) e da recolha de vários dados (relatórios dos comportamentos realizados pelos professores, psicólogos, terapeutas, …).
A importância de um diagnóstico correcto evita o arrastar de situações e o recurso a medicamentos que não resolvem os problemas (os medicamentos servem para quando são realmente necessários, e não para remediar situações).
- A Ansiedade pode afectar a atenção de uma criança porque esta pode estar preocupada com outros assuntos que não a deixam concentrar, aparentando estar distraÃda; deve-se tentar perceber se ela também adopta este comportamento quando está descansada. Isto porque a ansiedade pode estar a ser desencadeada por situações que estejam a ocorrer na vida da criança, estando a criança com dificuldades em lidar com isso e em expressar os seus sentimentos.
- Os Comportamentos Disruptivos são uma questão frequente na escola, mas não são exclusivos de crianças com hiperactividade; estes comportamentos podem ocorrer quando as crianças se sentem frustradas, quando têm dificuldades em lidar com a autoridade ou quando procuram a atenção do adulto (para estes casos, a medicação para a hiperactividade não é adequada, podendo existir outras formas de controlo comportamental).
- As Dificuldades de Aprendizagem afectam o desempenho escolar em algumas áreas e como tal, a criança pode estar menos atenta na realização dessas tarefas ou mesmo adoptar um comportamento evitante, fugindo a este género de trabalhos.
Além de estes comportamentos, podemos nomear outro ainda que pode ser confundido com hiperactividade; daà a importância da criança ser vista como um todo (emocional, social, individual) para poder ser compreendida também no seu todo.
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Depois da hora
- Esperem por mim! Esperem… – Gritava o Bruno. O Bruno estava sempre atrasado; tinha sido assim desde o inÃcio e já todos sabiam. Na verdade já todos estavam habituados.Â
O Bruno chegava depois da hora de entrada na escola, chegava atrasado ao almoço, chegava tarde às brincadeiras. Os amigos ainda tentavam ajudar o Bruno: combinavam às cinco da tarde e diziam-lhe às quatro, combinavam às cinco da tarde e chegavam às seis, mas nada dava resultado. Tinham sempre que esperar pelo Bruno.
É claro que o Bruno também perdia muito por chegar atrasado. No futebol, já todos tinham sido escolhidos e ele ficava com o último lugar (aquele que ninguém queria), nas festas já todos tinham comido os seus doces preferidos (e ele nem os chegava a provar) …
Ora o Bruno também não estava contente com a situação; afinal, ele ficava sempre com aquilo que os outros não queriam.Â
Ninguém estava contente com a situação. Mas o Bruno também não a sabia resolver.
Um dia, na biblioteca, o Bruno viu um livro que tinha na capa um desenho de uma menina, um grande relógio e um coelho a correr. Ficou curioso e quando abriu o livro viu que o coelho se queixava muito de chegar sempre atrasado e corria muito para chegar a horas, mas por mais que corresse, nunca chegava à hora combinada.
Quer dizer, a história não era sobre o coelho, era sobre a menina e a grande aventura que viveu quando conheceu o coelho; mas o Bruno levou o livro para casa e ficou a ler a tarde toda. Estava tão distraÃdo que nem ouviu a mãe a chamá-lo para jantar. E quando foi para a mesa, levou o livro com ele.
Os pais, curiosos para saberem o que estava a distrair o Bruno de tal modo que ele não queria deixar o livro pousado para poder comer, perguntaram-lhe o que se passava. E o Bruno contou; estava triste por ser sempre o último a chegar.Â
“Bem, então vamos resolver issoâ€, responderam os pais. Compraram-lhe um relógio que tinha um alarme e tocava sempre que fossem horas importantes: horas de ir para a escola, horas de ir brincar, horas de ir almoçar, … O relógio tocava e o Bruno já sabia o que tinha que fazer.Â
A partir desse dia, o Bruno era sempre o primeiro a chegar.
Bem, por vezes era o segundo ou o terceiro, mas já não era o último e ninguém tinha de esperar por ele.
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Aos pais
É natural que as crianças tenham algumas dificuldades em interiorizar as horas, em particular quando não têm as rotinas adquiridas (as rotinas são aquelas tarefas que fazemos quase diariamente e sensivelmente à mesma hora, como por exemplo, tomar banho antes de jantar, comer quase sempre à mesma hora, …). Â
As rotinas ensinam à criança a noção da passagem do tempo e o que é esperado acontecer em cada altura do dia. Transmitem segurança (tal como as regras, mas estas deixamos para outra história).
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Meninos “maus”
O desenvolvimento de uma criança traz sempre mudanças no seu comportamento.Â
Normalmente, todos pensamos que esse mesmo comportamento é problemático quando não vai ao encontro das nossas expectativas enquanto adultos, mas na verdade, um comportamento é considerado desadequado quando acontece frequentemente, quando é muito intenso e quando traz instabilidade para a criança e a famÃlia.
Por exemplo, uma criança de 2 anos poderá atirar-se para o chão, a gritar a bater com os pés no chão, porque lhe foi dito “nãoâ€; não será certamente um comportamento adequado mas, é provável que o faça; não o deve fazer aos 5 anos, pois tem já possui outras formas de se expressar (neste caso, de expressar o desagrado com a nossa decisão).
É aà que entra a importância dos limites.
 Viver em sociedade implica saber obedecer a regras e limites; todos nós obedecemos a alguém ou a algo: ao nosso chefe, ao polÃcia, ao tribunal… as regras e leis estabelecem o limite do nosso comportamento e ensinam-nos como viver em sociedade.
Os limites ensinam a criança a respeitar o próximo. Quando a criança sabe exactamente o que se espera dela e conhece os limites e as normas a cumprir, tem mais facilidade em corresponder.
Impor limites é saber dizer sim e não de forma positiva e coerente.
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Um paÃs lá longe…
Uma noite, antes de deitar-se, a Ana começou a pensar: e se em vez de arrumar a mochila com os livros e cadernos, ela arruma-se a mochila com coisas diferentes? Colocou lá dentro a sua saia preferida, os ganchos azuis do cabelo, a boneca e um chocolate (porque podia ter fome no caminho). Depois saiu de casa e foi viajar. Num instante chegou ao paÃs mais longe da sua casa que era, segundo tinha ouvido, o melhor do mundo.
Quando lá chegou ninguém perguntou à Ana se tinha feito os trabalhos de casa nem se tinha comido tudo ao jantar e nem se tinha arrumado o quarto (como às vezes os pais lhe perguntavam lá em casa). Ninguém lhe perguntou nada porque não havia ninguém lá: era só a Ana. Aà aproveitou para ver tudo à vontade, subiu às árvores, tomou banho no rio e dormiu quando estava cansada. E, melhor de tudo, podia fazer isto todos os dias!
Ao fim de algum tempo, a Ana começou a ficar cansada. E não tinha ninguém para brincar porque não estava lá ninguém. E não podia falar com ninguém porque estava sozinha (quer dizer, ela falava com as arvores, mas elas não lhe respondiam). E não estava lá ninguém para a abraçar, nem para ajeitar a roupa da cama, ninguém para perguntar se o dia tinha corrido bem e a Ana tinha sempre tanta coisa para contar. Não sentia o cheiro do perfume da mãe, nem ouvia a voz do pai, não sentia o abraço deles, não fazia festas no seu cão e nem comia o bolo delicioso que a avó costuma fazer. Nada disto.
Então, a Ana pensou melhor, arrumou todas as suas coisas preferidas na sua mochila e voltou para casa. Ao chegar, abraçou os pais, foi directo ao quarto, colocou os livros e os cadernos na mochila, vestiu o pijama, lavou os dentes e deitou-se na sua cama. Talvez seja melhor visitar em sonhos o paÃs longe e continuar aqui por casa.
Aos pais
As crianças fazem por vezes ameaças de que vão fugir de casa, em especial depois de ouvirem ralhar e quando percebem que esta ameaça provoca um efeito curioso nos pais (uns olhares preocupados, uma agitação…).
Normalmente, estas ameaças são uma tentativa de fugir aos castigos (ou pelo menos de abrandá-los).
Os pais devem manter-se firmes no castigo dado e conversar sobre o “fugir de casa†com as crianças, numa linguagem adequada à idade delas; no fundo desmistificar o efeito da ameaça que elas fazem, não a ignorando, mas «desmontando-a».
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