Desobedecemos porquê?

Março 31st, 2009
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Questionamo-nos com frequência o porquê das crianças desobedecerem, mesmo quando já dissemos para não fazerem, mesmo quando já estiveram de castigo e mesmo até quando já levaram uma palmada (também acontece perdermos a cabeça).

Bem, existem várias razões, pelo que vou falar de algumas: 

- Para chamar a atenção: é verdade, damos sempre mais atenção quando se portam mal (chamamo-las, ralhamos, falamos com elas) do que quando se comportam bem. Aí passam despercebidas, nem nos apercebemos e continuamos a fazer as nossas tarefas. Nessa altura elas pensam “Bem, estou aqui sentada a fazer o meu jogo tão bem e tu não me ligas nenhuma, mas se eu fizesse como o João e tivesse atirado o jogo para o chão, já estavas de volta de mim!â€. 

- Porque não se sentem suficientemente aceite pelos outros: o ataque é a melhor defesa; “porque eu não consigo brincar com ninguém e se ninguém gosta de mim, eu também não gosto delesâ€

- Porque não se conseguem fazer compreender: às vezes até nós perdemos a cabeça quando não nos conseguimos fazer entender numa conversa, imagine as crianças, com um dicionário mais pequeno que o nosso; junte uma catadupa de sentimentos à mistura que não conseguem entender e tem a receita certa para uma explosão.

 

Vou buscar novamente a Educação Emocional e os seus procedimentos para lidar com as emoções (que depois se associam e reflectem em actos):

- Ter consciência da emoção da criança (saber reconhecer qual a emoção sentida: medo, tristeza, …)

- Mostrar respeito pelos seus sentimentos (embora a nós possam parecer problemas menores, para quem os sente, são enormes)

- Ajudar a criança a identificar e nomear os sentimentos

- Estabelecer limites: perceber e validar os sentimentos da criança, mas não o seu comportamento. Dizer quais os comportamentos aceitáveis e os não aceitáveis e quais as consequências de prossegui com os não aceitáveis

- Ajudar a encontrar soluções: incentive a criança a pensar por si própria e a resolver o problema (pergunte-lhe o que ela quer, ajude a escolher as melhores opções pensando em conjunto nas consequências, relembre as opções de sucesso e escolham as opções que vão fazer).

Sim, um castigo

Fevereiro 12th, 2009
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Falámos da importância dos limites e como explicá-los para que a criança possa saber exactamente o que esperar de nós (e nós dela).

Contudo sabemos que nem sempre esses limites são respeitados. O que fazer nesse caso?

Bem, em primeiro lugar quando se coloca uma regra deve explicar-se porque colocamos a regra e o que acontece quando não é cumprida. Por exemplo: 

“Não gosto que jogues à bola dentro de casa porque podes partir um vidro. Por favor, jogas à bola no recreio da escola/no ATL/na rua. Se jogares à bola dentro de casa, guardo a bola e só devolvo amanhãâ€.

Os castigos devem preferencialmente ser: 

- Coerentes: não podemos castigar na segunda ou terceira vez, e depois deixamos o castigo de lado e daí a um mês voltamos a aplicá-lo. Tem de ser feito à primeira, à segunda, à terceira, … até o comportamento deixar de existir.

- Adequado à gravidade do acto: é diferente não arrumar o quarto de bater num colega da escola. È como as multas de trânsito: leve, grave e muito grave têm pesos diferentes nas contas.

- Aplicado de imediato: não vale a pena dizermos que o “vais ver quando o pai/mãe chegar a casaâ€. A criança porta-se mal agora e comigo, portanto sou eu que dou o castigo e é agora que é dado.

- Não físico, nem que envolva comida. Restrições a jogos, a passeios, brincadeiras…

Meninos “maus”

Janeiro 21st, 2009
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O desenvolvimento de uma criança traz sempre mudanças no seu comportamento. 

Normalmente, todos pensamos que esse mesmo comportamento é problemático quando não vai ao encontro das nossas expectativas enquanto adultos, mas na verdade, um comportamento é considerado desadequado quando acontece frequentemente, quando é muito intenso e quando traz instabilidade para a criança e a família.

Por exemplo, uma criança de 2 anos poderá atirar-se para o chão, a gritar a bater com os pés no chão, porque lhe foi dito “nãoâ€; não será certamente um comportamento adequado mas, é provável que o faça; não o deve fazer aos 5 anos, pois tem já possui outras formas de se expressar (neste caso, de expressar o desagrado com a nossa decisão).

É aí que entra a importância dos limites.

 Viver em sociedade implica saber obedecer a regras e limites; todos nós obedecemos a alguém ou a algo: ao nosso chefe, ao polícia, ao tribunal… as regras e leis estabelecem o limite do nosso comportamento e ensinam-nos como viver em sociedade.

Os limites ensinam a criança a respeitar o próximo. Quando a criança sabe exactamente o que se espera dela e conhece os limites e as normas a cumprir, tem mais facilidade em corresponder.

Impor limites é saber dizer sim e não de forma positiva e coerente.