Gerir os conflitos conjugais protegendo os filhos

Dezembro 14th, 2011
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Quando nos sentimos zangados, nem sempre é fácil parar para pensar na razão da nossa zanga; mais difícil ainda não a carregar connosco durante o dia e lançá-la em cima das pessoas de quem mais gostamos; por vezes basta um pequeno comentário ou contratempo para elevarmos a voz ou dizermos coisas que mais tarde nos arrependemos.

Mais complicado é gerir discussões frente a crianças. É a pensar nelas que deixamos aqui algumas sugestões para gerir os conflitos conjugais, de modo a que as afectem o menos possível.

Não utilize as crianças como armas: é frequente que, quando as pessoas estão magoadas, queiram magoar o cônjuge. Por vezes utilizam a relação com os filhos para causar esse efeito; o afastar as crianças dos pais é prejudicial para todos, pais e filhos. O envolvimento das crianças nas disputas conjugais pode fazer com que elas de algum modo se sintam responsáveis.
- Separe os papéis de pais dos papéis de cônjuge; evite referir-se ao cônjuge em termos críticos ou culpabilizantes. Explique aos seus filhos que as desavenças entre os pais não estão relacionadas com eles.

Não deixe que as crianças se metam no meio: é normal que as crianças queiram intervir quando vêem que os pais estão zangados. A confusão na família assusta as crianças e faz com que queiram participar, acalmando o ambiente.
- Explique-lhes que não têm a responsabilidade de resolver os conflitos entre os pais, que são os adultos que têm de fazer isso; as discussões podem ser desagradáveis, mas os adultos precisam de resolver os seus problemas. Nunca lhes peça para «levar recados» ou «guardar segredos».

Aborde os conflitos conjugais de modo a que as crianças compreendam: apesar dos pais se sentirem demasiado cansados ou tristes com os conflitos, a verdade é que as crianças se apercebem do que se passa e necessitam de ajuda para enfrentar as suas emoções.

- Quando se sentir calmo, arranje algum tempo para falar com as suas crianças sobre o que se passa; incentive-as a falar sobre o que sentem e o que as preocupa. Seja qual for o medo que elas tenham, transmita-lhes que apesar do que se está a passar, que elas não têm culpa nenhuma do que se está a passar, que é normal que se sintam tristes e que os pais vão sempre gostar e tomar conta delas.

Mantenha-se atento aos pequenos detalhes do dia-a-dia das suas crianças: preste atenção aos acontecimentos diários das crianças; elas podem ficar ansiosas com as mudanças, por mais pequenas que nos pareçam. As crianças precisam que os pais mantenham uma grande proximidade emocional e necessitam dessa proximidade especialmente nas alturas de crise na família.

Informe os seus filhos quando os conflitos acabam: é um grande alívio para as crianças quando percebem que os conflitos entre os pais terminaram.

E sim, sabemos que é mais fácil falar do que agir, mas se conseguirmos colocar em prática algumas destas técnicas, vão certamente melhorar as relações em casa.
Contem-nos as vossas experiências, dificuldades e sucesso e nós tentaremos ajudar.

Treino comportamental… ou não

Fevereiro 11th, 2011
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Hoje continuamos com o tema anterior: a questão dos comportamentos desadequados, que a mãe já não consegue controlar.

A nova solução encontrada pela personagem é deixar que alguém tome o controlo da situação por ela, sendo neste caso um perito em treino comportamental…animal. Exageros à parte (como trelas e liderança dominadora), a verdade é que a nossa mudança de comportamento produz mudanças nos comportamentos dos outros que estão em nosso redor.

Assim, quando tornamos as regras constantes, (como falamos anteriormente e vou repetir-me) torna-se também mais fácil para a criança prever o que vai acontecer e o que esperamos dela.

Crianças: Auto-controle e sucesso

Junho 24th, 2010
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Nos anos 60, Walter Mischel, um professor de Psicologia da Universidade de Stanford estava encarregue de uma experiência que ficou conhecida como “O teste do marshmallow“; nesta experiência era colocado um marshmallow frente a uma criança e era-lhe proposto um acordo: podia comer aquele marshmallow agora ou se esperasse que o adulto saísse da sala e não comesse logo o doce, era-lhe oferecido outro quando o adulto voltasse.
Algumas crianças comeram poucos segundos depois, enquanto que outras aguardaram os 15 minutos (muito tempo de espera para idades pequenas).

As crianças foram seguidas posteriormente e aquelas que esperaram pelo regresso do adulto eram mais bem sucedidas na vida do que as que não esperaram

O que é que esta experiência ensina?

Bom, que a capacidade o adiar da gratificação do “agora” para “depois” implica um grande auto-controle e esta capacidade é um bom predictor de sucesso futuro.

Os pais desempenham papel importante e podem ajudar a trabalhar o tempo de espera e de auto-controle através da imposição de limites e disciplina. Podem também ajudar através de estratégias que ajudem a distrais da “tentação”, tais como ajudar a contar até um certo número, ou ocupar o pensamento com outros assuntos.

Actividade para a Páscoa

Março 23rd, 2010
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Lembrámo-nos de fazer novamente uma actividade de culinária, como já fizemos noutro tempo. Esta é rápida de fazer e fica óptima. A ideia é fazer o download das imagens (em desenho para os mais pequenos, com imagens reais para os mais crescidos) para que sejam as crianças a fazer a receita sozinhas (nós explicamos primeiro aos pais para que estes possam dar umas indicações de como se faz).

Tal como da outra vez, esta actividade também tem o objectivo de ser didáctica e trabalhar a psicomotricidade (Planeamento e Organização da tarefa, Sequenciação, Atenção, Motricidade fina).

A receita precisa de

- 1 embalagem de massa folhada
- 1 maçã cortada em pedaços pequenos
- Doce de maçã
- Canela
- Formas para ir ao forno


(Click para puxar o PDF)

Faz-se assim

Colocamos o avental e todos os ingredientes em cima da mesa (a ordem das imagens corresponde à ordem da receita).

Barram-se as formas com manteiga/margarina e farinha. Estende-se a massa folhada (existem algumas que já não precisam do rolo da massa e poupam alguma tempo) e os pais cortam em rectângulos com tamanho suficiente para forrar as formas e sobrar um pouco para fechar (estilo“empadaâ€).

As crianças colocam a massa dentro das formas. Dentro da massa colocam os pedaços de maçã, seguidos por uma colher de chá de doce e polvilham com canela. Por fim, fecha-se o bolinho com o resto da massa e é só levar ao forno.

Uma Páscoa bem boa….

501 maneiras para ser um bom pai

Setembro 23rd, 2009
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De regresso ao trabalho, encontro-me também de regresso à escola.

Foi-me dada a oportunidade de frequentar um curso de Formação em “Avaliação de Promoção de Competências Parentaisâ€, ministrado pela Dra. Rute Agulhas. Embora ainda estejamos a meio do curso, já estou a retirar grandes proveitos e um deles vou partilhar aqui convosco.

Deixo-vos as “10 melhores coisas que pode dizer ao seu filhoâ€, traduzido e adaptado pela Dra. Rute Agulhas, do livro “501 WAYS TO BE A GOOD PARENT : From the Frantic Fours to the Terrible Twelvesâ€.

O melhor

  1. Tu foste sempre uma alegria na minha vida
  2. É bom contar o que nos acontece
  3. Estou muito orgulhoso de ti, estiveste tão bem!
  4. Eu disse não.
  5. Não há problema em chorar ou sentirmo-nos tristes ou assustados
  6. É normal errarmos e enganarmo-nos
  7. És muito esperto em teres-te lembrado disso/em teres feito isso
  8. Podes estar sem fazer nada
  9. Eu gosto de ti como tu és
  10. Eu amo-te

Há sempre situações todos os dias onde podemos dizer qualquer uma destas frases (às vezes até mais do que uma frase e mais do que uma vez). por isso toca de praticar.

Voltámos…

Setembro 17th, 2009
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É verdade! Regressámos ao trabalho, regressou o Outono e regressaram as aulas; estes últimos quinze dias têm sido de grande azáfama para os pais: em que turma é que o meu filho ficou (quando muda de escola), qual o seu horário, quem são os professores, que material é que é preciso comprar…

A juntar a todas estas questões, temos ainda a mudança de ritmos: as horas de deitar, o jogar computador,  …

E para quem está a começar (nos jardins-de-infância) as ansiedades são ainda maiores: como vai ser quando deixar a minha filha na escola? Será que ela fica a chorar (ou sou eu quem vai chorar)?

Bom, deixo aqui algumas sugestões  para tentar facilitar a vida das famílias:

  • Estabeleça rotinas: retome as antigas ou inicie novas, não importa. Adeqúe os horários e condicionantes da sua família e crie rotinas; tente que a hora de levantar seja sempre a mesma, que o banho seja sempre na mesma altura, que exista uma altura para descansar e brincar (antes ou depois dos trabalhos de casa, conforme a disponibilidade que a criança apresenta).
  • Prepare a criança para o início das aulas: vejam o horário em conjunto, descubram qual a melhor altura para estudar, explorem os livros para criar entusiasmo,…
  • Ajude a criança a organizar-se para o dia seguinte: durante as primeiras semanas, ao fim do dia vejam em conjunto que livros têm de estar preparados para o dia seguinte, que materiais necessita; posteriormente vá dando autonomia, lembrando à criança que tem de ir organizar os livros para amanhã, e revendo oralmente que materiais irá utilizar,…

Para crianças que vão iniciar a escola pela primeira vez, quer seja o Jardim-de-Infância, a mudança para o 1.º Ciclo ou uma mudança de escola, é natural que nas semanas antecedentes e nas primeiras semanas sintam alguma ansiedade (aquilo que normalmente chamamos “nervoso miudinho†ou “nervosâ€);

  • Na semana antes converse sobre a nova escola: como poderá ser, como serão os horários, o que irá fazer,…
  • Nas semanas seguintes: converse sobre como estão a correr as coisas na escola: como são os colegas, como é a professora, se gosta das disciplinas, como poderão melhorar o que está menos bem, …

E descansem… ainda temos um ano inteiro pela frente.

Bom regresso!

Somos o que aprendemos

Junho 18th, 2009
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Frequentemente esquecemo-nos de que nós somos os heróis dos nossos filhos e que eles olham para nós como modelo a seguir; adoptam os nossos comportamentos, os nossos conceitos, os nossos valores.

Quanto mais nos esforçarmos para sermos melhores pessoas, mais eles nos imitarão. E porque uma imagem vale mais do que 1000 palavras, fica aqui a chamada de atenção:

Dia da Criança

Maio 21st, 2009
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Está a chegar o Dia da Criança.

Temos aqui uma ideia para comemorar esse dia; lembramo-nos de fazer um jogo e quando digo fazer, é no verdadeiro sentido da palavra, como em trabalhos manuais.

Reúna a família, junte tesouras, cola, cartolina, papel autocolante transparente. Depois imprima o jogo que está no fim e construam a nossa versão do famoso “Party“, ou seja, o Party Infantil. Dá para jogar 2 a 4 jogadores, fazer equipas, como quiser. As idades começam nos 7/8 anos e vão por aí adiante.

party_infantil_tabuleiro

Eu já o construí e utilizei. Prometo que vale o trabalho.

Divirtam-se e boas jogadas

Instruções “Partyâ€

1.º) Imprima as duas primeiras folhas; estas representam o tabuleiro. Recorte, junte as duas e cole numa cartolina; depois pode forrar com papel autocolante transparente.

2.º) A terceira folha tem um dado para recortar e colar, bem como os cartões dos pontos e as imagens dos cartões correspondentes a cada ponto.

3.º) Existem 4 tipos de categorias: Mímica, Palavras Proibidas, Desenho e Perguntas. Existem 2 folhas de cada tipo de perguntas para imprimir; nas costas das folhas imprima a capa correspondente.

4.º) Os cartões podem ser plastificados em máquina própria (se conhecer alguém que tenha é óptimo) ou com plástico de forrar os livros.

6.º) Pode colocar um pouco de velcro nos cartões dos pontos para colar lá o cartão correspondente à categoria da pergunta.

5.º) Pode fazer os peões com bonecos, peões de outro jogo, botões,…

6.º) Precisa de um dado regular (pode pedir emprestado a outro jogo que tenha em casa)

party_infantil_pecas

Como jogar:

Colocam-se os peões na casa da partida. O primeiro a jogar lança o dado (normal ou do jogo). Conforme a casa onde calha, faz-se a pergunta da categoria correspondente. Se acertar continua a jogar até não saber responder, passando a vez ao outro jogador. Só ganha o cartão para colar no cartão dos pontos quando acertar na pergunta da casa branca correspondente a cada categoria, em cada canto.

Quando completar o cartão dos pontos (amarelo) , tem de jogar o dado até regressar à casa da partida. Aí, lança o dado do jogo e tem de responder certo à categoria que calhar

Ganha quando acertar a pergunta final.

Material

Tudo o que precisa é deste PDF do Party Infantil com o material e depois do divertido trabalho manual, é só jogar.

Desobedecemos porquê?

Março 31st, 2009
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Questionamo-nos com frequência o porquê das crianças desobedecerem, mesmo quando já dissemos para não fazerem, mesmo quando já estiveram de castigo e mesmo até quando já levaram uma palmada (também acontece perdermos a cabeça).

Bem, existem várias razões, pelo que vou falar de algumas: 

- Para chamar a atenção: é verdade, damos sempre mais atenção quando se portam mal (chamamo-las, ralhamos, falamos com elas) do que quando se comportam bem. Aí passam despercebidas, nem nos apercebemos e continuamos a fazer as nossas tarefas. Nessa altura elas pensam “Bem, estou aqui sentada a fazer o meu jogo tão bem e tu não me ligas nenhuma, mas se eu fizesse como o João e tivesse atirado o jogo para o chão, já estavas de volta de mim!â€. 

- Porque não se sentem suficientemente aceite pelos outros: o ataque é a melhor defesa; “porque eu não consigo brincar com ninguém e se ninguém gosta de mim, eu também não gosto delesâ€

- Porque não se conseguem fazer compreender: às vezes até nós perdemos a cabeça quando não nos conseguimos fazer entender numa conversa, imagine as crianças, com um dicionário mais pequeno que o nosso; junte uma catadupa de sentimentos à mistura que não conseguem entender e tem a receita certa para uma explosão.

 

Vou buscar novamente a Educação Emocional e os seus procedimentos para lidar com as emoções (que depois se associam e reflectem em actos):

- Ter consciência da emoção da criança (saber reconhecer qual a emoção sentida: medo, tristeza, …)

- Mostrar respeito pelos seus sentimentos (embora a nós possam parecer problemas menores, para quem os sente, são enormes)

- Ajudar a criança a identificar e nomear os sentimentos

- Estabelecer limites: perceber e validar os sentimentos da criança, mas não o seu comportamento. Dizer quais os comportamentos aceitáveis e os não aceitáveis e quais as consequências de prossegui com os não aceitáveis

- Ajudar a encontrar soluções: incentive a criança a pensar por si própria e a resolver o problema (pergunte-lhe o que ela quer, ajude a escolher as melhores opções pensando em conjunto nas consequências, relembre as opções de sucesso e escolham as opções que vão fazer).

Cada criança é única

Março 25th, 2009
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Existem várias correntes pedagógicas e como tal, várias opiniões sobre como educar uma criança. A minha opinião é a de que existe sempre uma corrente certa para o momento certo e a idade certa. É completamente diferente conversar com uma criança de 2 anos de uma criança de 12 anos. Racionalizar com uma criança de 2 anos é difícil, mesmo pela própria imaturidade biológica e emocional da criança. 

Vivemos todos em sociedade e como tal é-nos exigido que adoptemos certas regras de convivência, de respeito pelos deveres e direitos individuais e colectivos. Assim é desde pequenos que somos educados pelos nossos pais e formados pelas pessoas significativas que se cruzam connosco e nos influenciam. Pedir a uma criança que nos obedeça implica que a nossa mensagem:

-  seja clara

-  seja coerente 

- estabeleça limites bem definidos

- justifique os motivos dos limites impostos

- diga qual a punição para quando um limite é ultrapassado 

- reforçe os bons comportamentos.

- dê  o exemplo 

Contudo cada criança é única e este blog não pretende dar receitas infalíveis a pais e cuidadores mas sim ajudar a descobrir novas maneiras de relacionarmo-nos.

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