Sim, um castigo

Fevereiro 12th, 2009

Falámos da importância dos limites e como explicá-los para que a criança possa saber exactamente o que esperar de nós (e nós dela).

Contudo sabemos que nem sempre esses limites são respeitados. O que fazer nesse caso?

Bem, em primeiro lugar quando se coloca uma regra deve explicar-se porque colocamos a regra e o que acontece quando não é cumprida. Por exemplo: 

“Não gosto que jogues à bola dentro de casa porque podes partir um vidro. Por favor, jogas à bola no recreio da escola/no ATL/na rua. Se jogares à bola dentro de casa, guardo a bola e só devolvo amanhã”.

Os castigos devem preferencialmente ser: 

Coerentes: não podemos castigar na segunda ou terceira vez, e depois deixamos o castigo de lado e daí a um mês voltamos a aplicá-lo. Tem de ser feito à primeira, à segunda, à terceira, … até o comportamento deixar de existir.

Adequado à gravidade do acto: é diferente não arrumar o quarto de bater num colega da escola. È como as multas de trânsito: leve, grave e muito grave têm pesos diferentes nas contas.

Aplicado de imediato: não vale a pena dizermos que o “vais ver quando o pai/mãe chegar a casa”. A criança porta-se mal agora e comigo, portanto sou eu que dou o castigo e é agora que é dado.

– Não físico, nem que envolva comida. Restrições a jogos, a passeios, brincadeiras…

Sugestões para mudar comportamentos

Fevereiro 10th, 2009

Há pouco tempo falávamos de comportamentos e de como, por vezes, podem constituir uma dor de cabeça. Assim ficam aqui algumas sugestões para utilizar quando queremos mudar um comportamento.

Pontos chave:

– Regras: precisam de ser claras e específicas, ou seja, dizerem muito claramente o que é permitido fazer e o que não se pode fazer. De preferência fazê-las pela positiva, como por exemplo: Em vez de dizer “- Não podes ir brincar, enquanto não arrumares as tuas coisas!”, prefira utilizar “- Depois de arrumares as coisas, podes ir brincar.”.

Pequeno conjunto de regras: quanto mais forem, mais difícil será para a criança saber o que pode e o que não pode fazer; assim o ideal é começar com duas ou três de cada vez e quando essas tiverem interiorizadas, acrescentar novas regras.

– As regras precisam estar em acordo com todos os que as aplicam, de modo a que quando a criança faz a mesma pergunta à mãe, ao pai, aos avós, possam todos responder do mesmo modo (positivo ou negativo)

– As regras precisam de ser razoáveis e adequadas. Não vamos exigir a uma criança que começou a andar que faça o pino. Vamos primeiro perceber o que ela consegue fazer e subir um degrau.

– As regras precisam de ter um limite no tempo. Castigar durante uma semana por algo que ela fez na segunda-feira não vai adiantar muito quando for quarta-feira; não só a noção de tempo das crianças é diferente da nossa como, uma vez que já estão de castigo, não tem razão para comportarem-se bem. 

 

No próximo post vamos falar do que fazer quando o limite que foi imposto é ultrapassado: precisa de ter uma resposta adequada por parte do adulto. 

Sim, um castigo.