Alienação Parental

Fevereiro 3rd, 2010
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Fala-se ultimamente em “Síndrome de Alienação Parental”; embora este termo não seja o correcto, a alienação parental existe quando um dos progenitores tenta repetidamente denegrir o outro progenitor junto da criança, habitualmente durante uma situação de divórcio; contudo não deixa de ser uma situação de maus-tratos emocionais para as crianças.

O divórcio é o 2.º acontecimento de vida mais gerador de stress, que nem sempre é fácil de gerir; aceitar o final de uma relação e adaptar-se a novas realidades é difícil e leva tempo.  Por vezes o conflito que surge entre os pais afecta os filhos sem que estes o percebam. E isto acarreta consequências:

- Relações interpessoais: dificuldade em estabelecer relações de confiança com outras pessoas e em relações de maior intimidade;

- Baixa tolerância à raiva e hostilidade: dificuldades em lidar com situações que despertem emoções fortes como a raiva (“ferver em pouca água”), em aceitar o “não”.

- Problemas no sono e na alimentação: dificuldades em adormecer, pesadelos, sono inquieto; pode também existir falta de apetite.

- Maior conflitualidade com figuras de autoridade: dificuldades em segui ordens e orientações de figuras de autoridade (professores, polícias, superiores hierárquicos, …)

- Maior vulnerabilidade e dependência psicológica: auto-estima e auto-confiança mais baixas.

- Sentimento de culpa: a criança é constantemente forçada a escolher um lado e tomar partido, crescendo com um sentimento de culpa e de impotência.

- Doenças psicossomáticas: dores de cabeça, dores de barriga e outras são muito comuns de surgirem, em particular nas situações de stress.

Cada um reage à dor de uma separação da sua própria maneira, sendo que uma maneira construtiva é aceitando o fim da relação a nível emocional e cognitivo, reorganizar e redefinir a família. E isso leva tempo e energia, mas o resultado final é positivo para todos.

  • Contra o conceito de Alienação Parental

    É preciso ver os dois lados da questão.

    Sou mulher, casada com o pai dos meus 3 filhos e compartilho com ele a guarda das crianças: um dá de comer, outro veste, um dá banho o outro seca, um leva à escola o outro vai buscar, um dá carinhos, o outro abraços. Isto para dizer que não sou advogada em causa própria a queixar-me de me acusarem de ser manipuladora.

    Esta acusação às mulheres e mães de estar a lavar o cérebro dos seus filhos faz lembrar a caça às bruxas a inquisição. Parece que não há qualquer outra razão para um filho não querer se encontrar com o seu pai que não seja por estar a ser manipulado pela “bruxa” da mãe, que é mulher e por isso um ser naturalmente dado à manipulação – uma bruxa que devemos queimar ou apedrejar na praça pública.

    As causas mais prováveis para uma criança se recusar a ver um dos genitores são outras. A mais grave de todas é o abuso sexual por parte desse genitor e vários estudos (em Espanha e nos Estados Unidos) indicam que a percentagem de falsas denuncias por crimes de natureza sexual contra crianças é muito mais baixa do que a percentagem de falsas denúncias por outros crimes. Quando as crianças dizem que estão a ser abusadas o mais provável é que estejam mesmo a sê-lo.

    Em Espanha estão a legislar em sentido inverso ao do Brasil: estão a proibir a utilização do conceito de alienação parental na justiça. E a promover a denuncia de peritos que utilizem esse conceito em autos periciais às Ordens Profissionais respectivas.

    O conceito de alienação parental não é reconhecido no mundo da Ciência. A Organização Mundial de Saúde não o reconhece. O DSM (American Psychiatric Association’s Diagnostic and Statistical Manual) não o reconhece.

    Vejam a reportagem Americana da PBS no youtube intitulada “Breaking the silence: Children’s stories” – http://www.youtube.com/watch?v=lR4pMTwTXg0

    Ou a do canal português RTP, sobre um caso recentemente passado em Portugal intitulada “Filha Roubada”- http://ww1.rtp.pt/blogs/programas/linhadafrente/?FILHA-ROUBADA.rtp&post=5873

  • http://manualdacrianca.net liliana

    Agradeço o interesse mostrado e a contribuição dada; quando falamos em alienação Parental, falamos de um termo que não é neste momento reconhecido como “doença”, nem pelo ICD10, nem pelo DSMIVR ( manuais de diagnóstico das doenças mentais).

    Contudo, como dissemos, existem situações de maus-tratos psicológicos, geralmente após a separação /divórcio do casal, nas quais um dos progenitores (mãe ou pai) tenta denegrir a imagem do outro progenitor, sem ter em consideração o bem estar da criança e a necessidade que esta tem de se relacionar harmoniosamente com os dois progenitores. E isso é algo que todos temos de pensar.
    Muito obrigada pela participação.

  • Cristina Medeiros

    Muito se te falado sobre alienção parental , no entanto pouco se fala das responsabilidades afetivas dos pais para com seus filhos, estejam eles juntos ou não.Existe um ditado popular que diz “quem quer faz”, pois bem, quem quer estar presente na vida dos filhos se faz presente. É fácil culpar o outro pelo afastamento, quando na realidade este afastamento é consequencia dos proprios atos e interesses. É fácil culpar o outro quando algo dá errado, mas o dificil é reconhecer o propria parcela de culpa.Devemos nos preocuparmos com a integridade psicologica dos nossos filhos, antes de nos aventurarmos em relações conflituosas, pois ao contrario do que muitos pensam as crianças e adolescentes tem sensibilidade para perceber por si só quando as coisas estão erradas.Mas, neste mundo que vivemos,o que importa são os quereis egoistas dos genitores sem levar em consideração as consequencias de seus atos sobre os filhos.
    Sem querer idealizar situações perfeitas, mas se os casais conversassem mais e se preocupassem verdadeiramente com seus filhos não precisariamos de uma lei como essa. Os laços sanguineos são importantes, porém não nos devamos esquecer que o que importa mesmo são os laços de afetos, pois amar se aprende amando como já se dizia o poeta.

  • Sandra

    Alienação parental não é uma doença, mas um comportamento abusivo porquêm se diz protector da criança. Não têm genero, mas na maioria dos casos é cometida pala mãe, pois é ainda na grande maioria salvo raras excepções que detêm a guarda da criança.
    Nem todas as mulheres prescidem do seu “poder” maternal e assumem muitas das vezes a parentalidade, pois ´”sou eu sei cuidar da criança” e o pai fica de lado.
    Concordo que também ainda existe uma grande sobrecarga na mãe, mas também se verifica que o pai hoje é mais participativo.
    Alienação parental de facto não é uma doença física nem mental, mas é sintoma.
    Existe em muitos casos “falsos abusos”, sendo que só são relatados pós-divórcio. Porquê será? Porquê é que estes abusos não foram denunciados pelo guardião da criança enquanto o casamento se mantinha?
    A mulher-mãe culturalmente é áquela que têm na grande maioria o poder paternal, daí ser a “bruxa da mãe” que não quer a sua cria perto do “monstro-pai”. Então se desconfiava de abusos sexuais ou outros porquê é que a grande maioria fecha os olhos ou consente, onde fica então o instinto maternal ou o sexto sentido da mulher.
    Cada situação é uma situação que deve ser muito bem analisada e como há pais abusadores também existem mães abusadoras.
    Em muitas situações no turbilhão de emoções após a separação/divórcio do casal verifica-se que o superior interesse da criança é desconsiderado em prol dos interesses pessoais.
    Bem haja

  • Martagoissantos

    Sei de uma situação em que a mãe diz constantemente que a filha chora e se recusa a estar com o pai, mas quando o pai telefona a filha fica toda contente por ele dizer que a vai buscar e quando a vai buscar a filha vai a correr para os braços dele. No entanto, quando a filha está com o pai e a mãe lhe telefona, a filha chora quando a mãe lhe diz “tenho muitas saudades tuas”, “quando não estás cá fico sozinha”, etc. Neste caso, não significa que a mãe diga mal do pai, mas só o facto de a criança ouvir constantemente a mãe dizer ao pai que a filha não quer estar com ele poderia ser um grande contributo para a criança não querer estar com ele (só que neste caso, o pai não se deixa vencer pela mágoa de ouvir que a filha não quer estar com ele). E quantos pais, perante esta situação, iriam acreditar na mãe e pensar que seria melhor afastarem-se dos filhos?

  • Liviacosta_ms

    extamente oq tenho vivido, um ano longe do meu filho, nem se quer me deixam falar com ele.
    http://meufilhodevolta.blogspot.com/

  • Yosefslb

    Existem vários sinais onde se perçebe que a criança está a ser vitima de por parte do pai no meu caso , não tenho a guarda dela e á pouco tempo diz o pai que ela não me quer ver . tou muito preocupada e sinto me impotente por favor ajudem me onde me devo dirigir para falar do que se está a passar.

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