Ansiedade
Dor de barriga, palpitações, suores, … quem ainda não sentiu ansiedade em alguma situação na sua vida? Acontece a todos, de pequenos a grandes.
Nas crianças é comum sentirem ansiedade, em particular quando enfrentam situações novas, tal como a entrada para a escola ou o regresso à mesma. Dificuldades em dormir, em comer ou mesmo frases de recusa em ir à escola não são de surpreender. (Ver Ansiedade: o «nervoso miudinho»).
A preocupação deve surgir quando ainda acontece ao fim de pelo menos um mês e traz stress/sofrimento à criança; alguns dos sintomas podem ser a dificuldade em separar-se dos adultos significativos, em estar sozinha ou ir para outros locais sem os adultos, a preocupação em perder os adultos (que aconteça alguma coisa à criança, como perder-se, ou ao adulto), os pesadelos, entre outros sintomas.
Neste cenário, fará bem considerar procurara ajuda de um especialista em saúde infantil, como um pediatra, psicólogo ou pedopsiquiatra – alguém em quem confie.
Entretanto, pode ir ajudando a diminuir a ansiedade, falando com a criança sobre os seus receios e tranquilizando-a, de modo a que ela se sinta segura.
Por exemplo, crie uma rotina quando vai buscar a criança à escola e caso haja alterações, ligue para a escola e peça para avisarem a criança que vai chegar mais tarde ou será outra pessoa – o avô, a irmã mais velha, o tio, a ir buscá-la.

Fique com a criança 5 minutos antes desta adormecer, lendo uma história ou conversando, para a prepara para o sono.
Incite a criança a ser autónoma e independente, sem a forçar (não aumentar a ansiedade).
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Maus-Tratos Psicológicos
A ideia de “criança” como pessoa de direitos é recente e tem vindo a assumir uma importância cada vez maior. Uma criança feliz torna-se num adulto feliz e saudável capaz de constituir uma famÃlia harmoniosa onde cresçam crianças felizes.
Já falámos na Convenção dos direitos da criança quando escrevemos sobre o direito a brincar; esta Convenção veio dar apoio à criação de uma lei que proteja as crianças e assegure os seus direitos. Esta Lei (de Protecção de Crianças e Jovens 147/99) defende, entre outros aspectos a promoção do bem-estar da criança afastando-a de situações de perigo, tais como o estar abandonada, o sofrer maus tratos fÃsicos ou psÃquicos, ser vÃtima de abusos sexuais ou ainda não receber os cuidados ou a afeição adequados (aqui fica o PDF para lerem a lei).
Também já falámos em Alienação Parental, que é uma forma de maus-tratos psicológicos; por isso hoje vamos escrever sobre Maus-tratos. É muito difÃcil definir e diagnosticar “Maus-Tratos psicológicosâ€. Dos vários artigos lidos, destaco a definição de “Maus-Tratos Psicológicos†como:
“…falha em fornecer um ambiente de apoio apropriado ao desenvolvimento, incluindo a disponibilização de uma figura de referência que possa assegurar estabilidade das competências emocionais e sociais. Podem ser passivos ou activos, com elevada probabilidade de deixar marcas indeléveis mentais, cognitivos, espirituais, morais ou sociais.” em Revista Portuguesa de Clinica Geral (2003) por Mário Cordeiro
As crianças que assistem a discussões verbais e fÃsicas intensas entre os pais, que escutam um progenitor a denegrir o outro utilizando frases como “o teu pai não presta†ou “a tua mãe não gosta de tiâ€, e que são sujeitos a tentativas de manipulação como “se fosses meu amigo fazias/dizias/ contavas-me…†estão sujeitas a Maus-tratos psicológicos.
Os sintomas manifestam-se nos vários contextos que a criança se insere (escola, casa, amigos, …) através de tristeza, mudanças de humor, desinteresse e apatia, dificuldades escolares, agressividade, entre outros.
Estar alerta a estes sinais é defender o futuro das nossas crianças.
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Ansiedade: o «nervoso miudinho»
Com o aproximar do final do ano lectivo (este 3.º perÃodo é muito curto) vem a ansiedade do “será que vou passar de ano?”, “será que vou ter boas notas?”, “como vai ser a nova escola para o ano?” ,…
Todos nós experienciamos perÃodos nos quais sentimos ansiedade e insegurança e como tal, é natural que as crianças (e adolescentes) também os experienciem. Faz parte da vida e não os podemos evitar.
A este sentimento de insegurança chama-se ansiedade e pode exprimir-se a nÃvel:
- Psicológico: inquietação, medo, cansaço, dificuldades de concentração, irritação, dificuldades de sono,…
ou
- FÃsico: coração acelerado, “borboletas no estômagoâ€, tensão muscular, tonturas, diarreias, suores, …
Trata-se de uma reacção normal a alguns acontecimentos; para alguns é o enfrentar de uma situação nova, tal como o primeiro dia de escola ou de trabalho, para outros pode ser o de se expor perante os pares e colegas ou ainda os testes e avaliações que temos de fazer.
É a maneira que o nosso cérebro tem para nos avisar que estamos perante uma situação que pode ser perigosa e de nos deixar alerta para podermos assumir o controle da situação; dá-nos adrenalina para prosseguir.
A ansiedade só se torna perigosa quando começa a impedir-nos de fazer as rotinas normais da nossa vida e se transformam em fobias (medos irracionais de objectos ou situações) ou em ataques de pânico (manifestação fÃsica de sensação de asfixia e medo de morrer) e nos começam a impedir de frequentar lugares ou de fazer algumas actividades que eram habituais. Nestes casos, o melhor é procurar ajuda para podermos recuperar o controlo sobre as nossas vidas.
Deixamos aqui algumas sugestões para diminuir a ansiedade:
• Diminuir o consumo de café: é um óptimo estimulante, mas o levantar 5 minutos mais cedo e espreguiçar-se, bem como o sentar-se à mesa para tomar o pequeno-almoço, ajuda a descontrair e dá-lhe um tempo extra para acordar.
• Sair de casa mais cedo: 10 minutos podem ser o suficiente para um imprevisto no trânsito e impedir que fique ansioso quando está parado no trânsito.
• Planificar o trabalho: estabelecer tarefas e priorizá-las ajuda a prevenir os esquecimentos (que depois nos forçam a ficar mais tempo) a dar uma maior sensação de controlo sobre a nossa vida (e não de que é o trabalho que nos controla). Uma secretária com fotografias do seu agrado ou plantas também ajuda a tornar o local mais agradável (já que passamos um terço do nosso dia lá)
• Fale: esclareça, de forma assertiva o que as situações que trazem preocupações com as pessoas certas, i.e., com aquelas que podem mudar as situações; adiar os conflitos só aumenta o sentimento de impotência e ansiedade.
• Relaxe: uma boa técnica de relaxamento consiste numa contracção sistemática dos principais músculos do corpo, seguida de uma distensão. Para isso instale-se num lugar tranquilo, descalço e vestido confortavelmente; em seguida deite-se de costas, braços ao longo do corpo e com as palmas das mãos viradas para cima. Inspire profundamente, retenha a respiração durante alguns segundos e expire lentamente; contraia com a maior força possÃvel os músculos da cara durante 5 segundos e depois descontraia. Faça o mesmo com os músculos dos ombros, dos braços, das mãos, até aos dedos dos pés. Por último permaneça imóvel durante alguns minutos imaginando algo de agradável.
• Sono: uma boa noite de sono recarrega as baterias para o dia seguinte, portanto evite jantares pesados, leia confortavelmente um livro antes de deitar, tenha o quarto bem arejado e a uma temperatura agradável.
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Alienação Parental
Fala-se ultimamente em “SÃndrome de Alienação Parentalâ€; embora este termo não seja o correcto, a alienação parental existe quando um dos progenitores tenta repetidamente denegrir o outro progenitor junto da criança, habitualmente durante uma situação de divórcio; contudo não deixa de ser uma situação de maus-tratos emocionais para as crianças.
O divórcio é o 2.º acontecimento de vida mais gerador de stress, que nem sempre é fácil de gerir; aceitar o final de uma relação e adaptar-se a novas realidades é difÃcil e leva tempo.  Por vezes o conflito que surge entre os pais afecta os filhos sem que estes o percebam. E isto acarreta consequências:
- Relações interpessoais: dificuldade em estabelecer relações de confiança com outras pessoas e em relações de maior intimidade;
- Baixa tolerância à raiva e hostilidade: dificuldades em lidar com situações que despertem emoções fortes como a raiva (“ferver em pouca águaâ€), em aceitar o “nãoâ€.
- Problemas no sono e na alimentação: dificuldades em adormecer, pesadelos, sono inquieto; pode também existir falta de apetite.
- Maior conflitualidade com figuras de autoridade: dificuldades em segui ordens e orientações de figuras de autoridade (professores, polÃcias, superiores hierárquicos, …)
- Maior vulnerabilidade e dependência psicológica: auto-estima e auto-confiança mais baixas.
- Sentimento de culpa: a criança é constantemente forçada a escolher um lado e tomar partido, crescendo com um sentimento de culpa e de impotência.
- Doenças psicossomáticas: dores de cabeça, dores de barriga e outras são muito comuns de surgirem, em particular nas situações de stress.
Cada um reage à dor de uma separação da sua própria maneira, sendo que uma maneira construtiva é aceitando o fim da relação a nÃvel emocional e cognitivo, reorganizar e redefinir a famÃlia. E isso leva tempo e energia, mas o resultado final é positivo para todos.
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Parentalidade e Problemas de Comportamento
O desenvolvimento humano tem lugar no contexto das teias de relações sociais e o curso de vida de um indivÃduo é moldado pelos cursos de vida dos outros. Uma das relações mais Ãntima e influenciativa é a que ocorre entre pai e filho. Têm sido feitas algumas pesquisas pela comunidade cientÃfica com base na transmissão de comportamentos entre gerações, fundamentando provérbios populares como «filho de peixe sabe nadar», «quem sai aos seus não degenera» ou «tal pai, tal filho».
Esta hipótese da continuidade sugere que a maioria das crianças agressivas numa geração tende a ter as crianças mais agressivas da geração seguinte e a base para esta continuidade pode advir de várias fontes, desde a genética até à social ou à ambiental. Esta hipótese é extremamente difÃcil de testar pois os comportamentos agressivos tem de ser estabelecidos durante a infância e a adolescência das duas gerações.
Os resultados da maioria dos estudos efectuados indicam que as práticas parentais de jovens pais com os seus filhos podem ser previstas pelas que eles experimentaram enquanto filhos. Alguns autores afirmam que parte da explicação para os comportamentos dos pais pode assentar nas suas experiências como crianças.
Uma conclusão plausÃvel que se pode tirar é a de que comportamentos de parentalidade e agressividade parecem ter influências recÃprocas nos dois. Dentro das gerações, a agressividade nos jovens é muitas vezes seguida por uma parentalidade promotora de agressão, o que por sua vez parece contribuir para a agressividade nos seus filhos; assim, parentalidade e comportamento agressivo podem ser ligados através de 3 gerações.
Esta transmissão entre gerações é feita provavelmente através de aprendizagem social. Do ponto de vista da aprendizagem social, espera-se que as crianças adquiram uma abordagem aos métodos parentais através das muitas interacções com os seus próprios pais, o que conduz a uma ligação directa entre os modos de educar as crianças entre primeira geração e a segunda. Os processos que envolvam aprendizagem por observação e treino directo podem também ser responsáveis pelas associações entre parentalidade e agressividade na criança.
Um estudo (de um autor chamado Capaldi et al, 2003) mediu o conceito de práticas parentais através de:
- Análise das relações entre pais e filhos (a maneira como se relacionam descrita quer pelos próprios, quer pelos observadores);
- Disciplina (coerência ou inconsistência das práticas disciplinares);
- Monitorização efectuada pelos pais (supervisão das actividades e comportamentos dos filhos).
Este estudo concluiu que variações na raiva parental, hostilidade, envolvimento e suporte emocional, desempenham um papel chave no desenvolvimento de comportamentos nas relações sociais.
A transmissão intergeracional de estilos parentais é influenciada por factores como o género e os factores sócio-económicos. É especÃfica no género, sendo mais evidente esta continuidade nos pais do que nas mães; o comportamento anti-social desempenha um papel mais importante no modelo para os pais e o estilo parental um papel mais poderoso no modelo para as mães. Problemas económicos também parecem afectar mais o modelo maternal, talvez porque são habitualmente as mães as primeiras prestadores de cuidados da criança e como tal a pobreza ou as dificuldades financeiras têm um impacto maior na sua relação com as crianças do que a relação dos pais, que não participam no envolvimento diário com as crianças.
Em resumo, a parentalidade na primeira geração afecta directamente a competência do indivÃduo numa das ligações mais importantes, a ligação entre pai e filho, colocando a criança em risco para o desenvolvimento de comportamento anti-social devido a práticas parentais pobres. Contudo a transmissão de comportamentos anti-sociais que pode ser interrompida através de programas de intervenção que melhorem as práticas parentais. As vidas parecem realmente estar ligadas deste modo e os factores de risco, como o económico e a parentalidade estão claramente entre os elos que avançam o nosso conhecimento sobre a continuidade comportamental.
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Stress na Adolescência
Pediram-me para participar num debate de uma Escola Secundária, dedicado ao tema “Stress Juvenilâ€, organizado por um grupo de alunos. Como já tinha aqui escrito sobre a adolescência, pensei que poderia continuar esse tema. Não admira que exista stress na adolescência, tendo em conta todas as transformações pelas quais os adolescentes passam.
A palavra stress evoca-nos sempre imagens negativas: alguém cansado, que não consegue parar de fazer as tarefas mas também não tem forças para as realizar. Na verdade, o stress pode ser positivo, uma vez que é a reacção de adaptação do corpo ao meio onde se encontra, i.e., cada vez que nos deparamos com situações novas, a nossa mente faz uma avaliação da situação: será que é perigosa ou será que é benéfica?
Se for perigosa, manda ordens para nos afastarmos, quer por movimento (retirar a mão de perto do fogo), quer por outros sinais (dores de cabeça, mãos suadas,…). Isto permite-nos evitar situações que sejam nefastas para nós. Serve como factor de alerta e ajuda-nos a criar respostas adequadas para a próxima situação idêntica. Por exemplo: quando aprendemos a conduzir, o primeiro dia em que pegamos no carro e vamos com o instrutor para a estrada, podemos ter dores de barriga e sentirmo-nos mais ansiosos uma vez que é uma situação que nunca enfrentámos; e se eu bater com o carro? E se alguém me bater? Quando é o primeiro dia de uma criança na escola, a situação é semelhante.
Na adolescência, as mudanças são constantes em nós próprios e no meio que nos rodeia; não sabemos muito bem lidar com o nosso corpo (somos desajeitados, a roupa deixa de servir de uma semana para a outra, a voz está fininha e depois mais grossa e fininha novamente) e com os nossos sentimentos (o que será que os outros pensam de mim, será que vão gozar comigo, …) e até os outros não sabem lidar bem connosco (tratam como crianças e a seguir exigem-nos que sejamos adultos).
Habitualmente, há um conjunto de factores (escola, grupo de amigos, famÃlia, indivÃduo) que podem levar ao desencadear do stress negativo. Se os comportamentos do adolescente afectam o desenrolar normal da sua vida (se o impedem de continuar com asa rotinas que tinha) é preciso verificar o que está acontecer.
Aqui ficam alguns sinais de stress:
Comportamentais:
- Começa a evitar o contacto com outras pessoas (deixa de sair com os amigos e passa a preferir ficar sempre sozinho no computador, deixa de fazer refeições em conjunto com a famÃlia, …) isolando-se.
- Envolve-se em confusões (torna-se mal-educado, reage muito rapidamente ao que lhe dizem, entra em brigas verbais e fÃsicas,…)
- Baixa o rendimento escolar (deixa de interessar-se pela escola, as notas diminuem vários valores, …)
FÃsicos:
- Insónia (não tem sono, demora muito tempo a adormecer ou acorda várias horas antes do despertador,…)
- Somatização, ou seja, dores de cabeça, dores de estômago, cansaço excessivo …
- Comportamentos de risco (uso de drogas e medicamentos, relações sexuais desprotegidas, …)
Psicológicos:
- Falta de concentração (parece alheado, distrai-se com facilidade, …)
- Desânimo (triste, sem motivação para realizar as actividades que antes gostava de fazer, …)
- Impaciência (grita ao menor reparo, atira com objectos, …)
Ajudas:
Algumas ajudas (que servem para todos) para diminuir o stress e levar uma vida saudável e harmoniosa:
- Actividade fÃsica: não é desporto de alta competição, mas a prática de um desporto ajuda a libertar mecanismos biológicos que nos fazem sentir melhor;
- PerÃodos de descanso: todos nós temos perÃodos diferentes de tempo (que variam também com a idade) no qual conseguimos estar concentrados; uma pausa de 10 minutos entre cada 60 minutos de estudo ajudam a melhorar a atenção e a memorização.
- Técnicas de relaxamento: o espreguiçar, o respirar calma e pausadamente, o fechar os olhos e visualizar um cenário que seja relaxante ajuda o corpo a reduzir os nÃveis de stress.
- Manter um diálogo sincero entre pais e filhos: um espaço para poder falar e ouvir, pensar, responsabilizar e ajudar a escolher soluções, ajuda a não nos precipitarmos quando tomamos decisões (como por vezes acontece em situações de stress).
- Ter limites e prioridades definidas: saber quando temos de parar antes de entrarmos no nosso limite e desenvolvermos problemas de saúde mais graves (SÃndrome de Burnout, depressão, úlceras,…)
- Receber carinho e atenção: sentir que alguém se preocupa connosco e gosta de nós, independentemente daquilo que conseguimos, é sempre uma ajuda à nossa auto-estima e diminui o receio de falhar.
- Quando sentimos que a situação nos ultrapassa: procurar a ajuda de um especialista, em quem confiemos, para nos ajudar a solucionar os problemas.
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Autismo
O Miguel entrou na sala pela mão da mãe; na outra mão trazia um carrinho. Ao aproximarmos dele, emite um grito e esconde-se atrás da mãe. Quando lhe falamos, não responde; os seus olhos passam por nós para depois continuarem pela sala. Não gosta que estranhos lhe toquem ou mexam na sua mochila (vai demorar algumas semanas para nos entregar aquilo que segura). É uma criança bonita, de cabelos negros, lisos e ligeiramente comprido. Tem um diagnóstico de Autismo.
O Autismo é classificado pelos Manuais de Diagnóstico de Doenças Mentais (DSM-IV e ICD-10) como uma perturbação global do desenvolvimento infantil. Manifesta-se cedo (em bebé) e prolonga-se para a idade adulta. Esta perturbação manifesta-se em três áreas: social, linguagem e comunicação, pensamento e comportamento.
Social:  a criança tende a isolar-se e não mostrando interesse pelos outros; pode interagir de forma estranha, evitando o contacto ocular; pode não ter iniciativa ou não responder à iniciativa dos outros. A criança não compreende a expressão facial do outro, não percebe as pistas sociais (olhar, expressão zanga, …). Ausência de empatia.
Linguagem e Comunicação: apresenta dificuldades em comunicar, em construir frases ou organizar o pensamento; pode fazer ecolália (repete os mesmos sons) ou repetir frases construÃdas mas fora de contexto («papaguear»); dificuldade em iniciar ou manter uma conversa;
Pensamento e do Comportamento: fraca imaginação, dificuldades em brincar; não gosta que alterem as rotinas, pode apresentar preferência por um objecto em particular ou por alguns movimentos repetitivos (sacudir as mãos, balancear-se, …).
As razões para a origem desta perturbação não estão ainda esclarecidas; coloca-se várias hipóteses, tais como a possibilidade de existirem factores hereditários ou anomalias cerebrais, mas a verdade é que podem surgir em qualquer famÃlia, classe social, educação ou paÃs.
PS: Um site interessante, com muitas informações sobre o Autismo:
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Hiperactividade – A importância de um diagnóstico
Existem alguns comportamentos nas crianças que, embora possam estar presentes na hiperactividade, não são por si só um diagnóstico de Hiperactividade; esse diagnóstico tem que ser feito através da consulta de um médico especialista (como um neurologista) e da recolha de vários dados (relatórios dos comportamentos realizados pelos professores, psicólogos, terapeutas, …).
A importância de um diagnóstico correcto evita o arrastar de situações e o recurso a medicamentos que não resolvem os problemas (os medicamentos servem para quando são realmente necessários, e não para remediar situações).
- A Ansiedade pode afectar a atenção de uma criança porque esta pode estar preocupada com outros assuntos que não a deixam concentrar, aparentando estar distraÃda; deve-se tentar perceber se ela também adopta este comportamento quando está descansada. Isto porque a ansiedade pode estar a ser desencadeada por situações que estejam a ocorrer na vida da criança, estando a criança com dificuldades em lidar com isso e em expressar os seus sentimentos.
- Os Comportamentos Disruptivos são uma questão frequente na escola, mas não são exclusivos de crianças com hiperactividade; estes comportamentos podem ocorrer quando as crianças se sentem frustradas, quando têm dificuldades em lidar com a autoridade ou quando procuram a atenção do adulto (para estes casos, a medicação para a hiperactividade não é adequada, podendo existir outras formas de controlo comportamental).
- As Dificuldades de Aprendizagem afectam o desempenho escolar em algumas áreas e como tal, a criança pode estar menos atenta na realização dessas tarefas ou mesmo adoptar um comportamento evitante, fugindo a este género de trabalhos.
Além de estes comportamentos, podemos nomear outro ainda que pode ser confundido com hiperactividade; daà a importância da criança ser vista como um todo (emocional, social, individual) para poder ser compreendida também no seu todo.
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